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CONCURSO ARENA BSB – COMPLEXO ESPORTIVO E DE LAZER
Brasília, BR. 2019

A proposta realizada para o concurso parte do reconhecimento da excepcionalidade, em escala e potência espacial, do Estádio Nacional Mané Garrincha e procura enfatizar sua condição de protago¬nista simbólico do conjunto. Nesse sentido, buscou-se trabalhar os novos elementos construídos no registro da paisagem e não no do edifício. Ao se apresentar à cidade como paisagem, o conjun¬to articula a escala metropolitana do eixo monumental com a escala mais cotidiana, na porção norte do perí¬metro, sem criar relações de frente e fundo.
Foram localizados criteriosamente os novos programas previstos no intuito de organizar com clareza dois setores de naturezas distintas: O setor sul se vincula à escala monumental/metropolitana e acolhe os eventos extraordinários e os grandes públicos ocasionais. Além do Estádio e do Ginásio existentes, encontra-se ali a área livre destinada aos eventos de grande porte. A contiguidade ao eixo monumental, permite criar praças de acesso independentes para cada um dos três equipamentos, dotadas das melhores condições de acessibilidade pela Via N1 e evitando a interferência com os demais equipamentos ou setores.
O setor norte dialoga com a escala local e recebe os pequenos eventos, atividades cotidianas e frequentadores usuais.
O ponto chave do projeto se caracteriza pelo Bulevar e consiste num sistema de organização espacial concebido mais como paisagem do que como edifício e cuja presença urbana evoca imagens que vão das rachaduras do solo seco erodido aos metaesquemas de Hélio Oiticica. Esse sistema permite resolver de modo claro e articulado todos os programas comerciais e de serviços em um conjunto de edifícios dispostos ao longo de um eixo arqueado de aproximadamente 700 metros de extensão e com uma suave declividade longitudinal que se acomoda à topografia local. Propõe-se no centro do Bulevar um córrego artificial com águas de fluxo contínuo que discorrem por gravidade conforme a queda natural do terreno. A vegetação associada a esse microclima é fundamental¬mente do tipo ciliar, típica do Cerrado, atingindo melhor inércia e conforto térmico. Em contraste, as coberturas dos prédios comerciais repre¬sentam as paisagens de prados do planalto do Cerrado como o “campo limpo” com predominância de gramíneas, ou os “campos sujos” com presença de arbustos baixos e espaçados na terra predominantemente vermelha e pobre em nutrientes.
Como paisagem de referência da área, o Cerrado se contextualiza pelos diferentes biomas que representam suas fi¬tofisionomias. As mudanças estacionais bem marcadas, permitem diferenças relevantes na percepção da paisagem, conforme o período de seca do inverno ou o período de chuvas no verão.
A partir da divisão do terreno em duas grandes bacias, se representa o contraste desse ecossistema por meio da escolha das espécies vegetais preferencialmente nativas associadas aos corpos d’água: a Bacia Norte reproduzindo um contexto mais associado às águas perenes (parque esportivo e bulevar) e Bacia Sul (estacionamentos, área do ginásio, estádio, praça de eventos, fachada do eixo monumental) que retrata as áreas mais secas, porém preparadas para receber as águas nos períodos de chuva.
Dessa forma, ao invés de recorrer à drenagem pura e simples dos espaços abertos, a abordagem adotada para o manejo da água de chuva trabalha em consonância com os partidos arquitetônicos e de pai¬sagismo, num planejamento sistêmico e integrado da paisagem construída. Compreende a topografia e as características físicas do solo como elementos estruturantes, a partir dos quais a dinâmica local da água da chuva é organizada de forma a se constituir como veículo que viabiliza a construção de uma paisagem regenerativa. Considera-se ainda a existência das edificações já construídas, em especial o grande excedente de água de chuva captada a partir da cobertura do estádio, que passa a ser abrigada num conjunto de lagos situados à face leste, no ponto mais baixo do terreno.

Prêmios
Menção Honrosa

Cliente
Arena BSB
IAB – DF Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento do Distrito

Área
807.000m²

Associados
Hereñú + Ferroni Arquitetos

Consultores
Guilherme Castagna

Equipe
Camila Omiya, Eduardo Ferroni, Felipe Maia, Gabriela Barbosa Amorim, Guilherme Castagna, João Pedro Sommacal, Jonatan Corrêa, Levy Vitorino, Maria Fernanda Arias Godoy, Marina Smit, Marina Uematsu, Pablo Hereñu, Pedro Freire, Robert de Paauw, Sofia Toi, Xavier Mayor