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PROJETO DE PAISAGISMO PARA EXPANSÃO DO PARQUE GULBENKIAN (VÉRTICE SUL) – CONCURSO DE IDEIAS
Lisboa, Portugal. 2019

A proposta do novo jardim-sul inicia-se refletindo sobre o jardim existente, e as três relevantes propostas que o paisagista Ribeiro Telles materializa no seu projeto: o percurso da luz e da sombra, o percurso do lago e o percurso da orla. No intuito de reinterpretar estas premissas desde uma perspectiva contemporânea, foi proposto fazer uma inversão na hierarquia dos elementos: no jardim existente a centralidade é a água, contida nas suas bordas por uma cortina de vegetação; no novo jardim-sul o elemento organizador localizado no centro será um clareiro vegetado, um amplo relvado que forma uma “ilha” com cursos d’água e caminhos de betão ao seu redor.
A aplicabilidade do conceito inicial propiciou a busca de recursos formais e geométricos que pudessem criar uma linguagem que organizara os elementos presentes. Nesse sentido, foram modeladas as tramas dos pavimentos e novas construções, com o intuito de preservar a maior quantidade de vegetação de grande porte possível. As linhas paralelas da edificação representadas no pavimento, são implantadas a partir de um modulo base que vai se adaptando aos encontros com os troncos das árvores no sentido longitudinal da proposta, e no transversal, se introduzindo sutilmente na vegetação de baixa altura nas bordas.
A proposta da “ilha” relvada também teve a finalidade de criar um contraponto ao bosque ao redor, e abrir o jardim ao edifício do museu e sua nova intervenção. Esta nova centralidade do conjunto atrairá às crianças para brincar, aos idosos para conversar, aos jovens para estudar… e chamará a atenção de todos os transeuntes que terão uma magnífica visão da nova face do museu. Para conseguir este vazio central, foi necessária a remoção de várias espécies, cujo critério inicial para sua remoção foi dar preferência à saída de arbustos, por conta da longevidade e a aparência lenhosa dos mesmos. Mesmo assim, foram propostas outras espécies em outras áreas que complementam as intenções paisagísticas.
O visitante ao entrar pode escolher entre dois percursos ao redor desta clareira para chegar ao edifício, ambos acompanhados por cursos d’água desenhados de forma a criar diferentes experiências: a um lado a água foi considerada um elemento arquitetônico, estático e refletante; ao outro, um elemento dinâmico, criador de sons, movimentos e integrado ao jardim. Estes percursos relacionam-se também com os usos do jardim.
O caminho do lado oeste leva diretamente à entrada do museu e o caminho leste convida à exploração e à permanência, criando novas experiências; como o espaço do viveiro. Deste lado, a sequência de arbustos ajuda a criar a noção de recintos espaciais diferenciados.
A localização dos viveiros foi ajustada com relação ao muro existente, para deixar um respiro verde entre a antiga construção e a nova, aproveitando a presença da massa vegetal na área. A volumetria dos viveiros compreende uma estrutura que se relaciona com o fora e dentro de maneira fluida: não existira um limite físico entre os espaços e sim áreas fechadas e abertas em baixo de um magnífico pergolado que permite a visão do verde existente se adentrar na edificação.

Arquitetos convidados a participar do concurso
Inês Lobo, Patrícia Barbas, Pedro Domingos e os ateliers Aires Mateus, Menos É Mais (Francisco Vieira de Campos + Cristina Guedes) e SAMI (Inês Vieira da Silva + Miguel Vieira), John Pawson, Tatiana Bilbao, Carla Juaçaba, Christ & Gantenbeim, Junya Ishigani e Kengo Kuma

Cliente
Fundação Calouste Gulbenkian

Área
8.500 m²

Associados
Carla Juaçaba Studio,  Arquitetura

Equipe
Carla Juaçaba, Clovis Cunha, Ana Luiza Nobre, Isadora Tebaldi, Waltércio Caldas, Fernando Cunha, María Fernanda Arias Godoy, Gabriela Barbosa Amorim, Geraldo Filizola, Luisa Mellis, Robert de Paauw

Vídeo
Maestro e Simon​, Marielle, Clovis Cunha

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