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PARQUE DA CIDADE – CONCURSO PÚBLICO NACIONAL
Belém – PA, BR, 2020

O desafio: O Parque da Cidade oferece a Belém uma oportunidade singular de transformar uma área atualmente subutilizada do Aeroporto Brigadeiro Protásio em um espaço de encontro social, ambiental e econômico. A população entende que o parque deve ser um grande equipamento público contemplando 3 eixos estruturantes: Cultura e Economia Criativa; Lazer e Esporte; e Paisagístico e Ambiental.
Além de espaço de permanência, a área do parque também é responsável para facilitar a circulação de pessoas. A área que atuava como agente segregador e fragmentador se torna permeável e de conexão, tanto pela mudança de uso restrito para uso público, quanto ao prolongamento da Avenida Pedro Miranda. Numa visão contemporânea e sustentável, o Parque da Cidade se insere no sistema de transporte que incentiva diferentes modais, principalmente os ativos, como bicicletas e caminhadas.

A cidade ocupa o Aeroporto: Descaracterizar a antiga função aeroportuária da área e promover o sentimento de apropriação por parte da população deste território descampado e pouco integrado com o entorno é o primeiro ato projetual desta proposta. Contudo, acreditamos que a preservação da memória é imprescindível. Portanto, mantivemos a pista do aeroporto no local e assumimos ela como elemento estruturante da nossa intervenção. Ao redor dessa estreita e extensa área pavimentada da pista de pouso é onde as atividades do parque se organizam. A pista de aproximadamente 1,1 km de extensão, que antes servia para a decolagem e aterrissagem de aviões, agora é o ponto de encontro, a ágora do local: um lugar que dá escala à área, uma linha reta quase infinita à altura dos olhos dos visitantes, um mundo desconhecido com infinitas possibilidades de uso.

Manejo de águas e topografia: O manejo de água é um desafiante aspecto para a concepção do parque, devido às intensas chuvas características da região de Belém e à grande altitude da área em relação ao restante da cidade, o que o torna responsável pela retenção de águas pluviais. Por um lado, esse canal tem a função de coletar e armazenar temporariamente a água de chuva, para própria alimentação dos lagos permanentes, para recarregar o lençol freático ou, se chegar a estourar a sua capacidade, transferir a água para o córrego do Pirajá. Por outro lado, o sistema de drenagem possui um curso d’água permanente, construído em terraços e interrelacionado aos lagos permanentes nas duas extremidades da pista de pouso, transformando-a num píer sobre as águas. Os terraços em diferentes níveis, além de contribuírem para oxigenar as águas, incluem um sistema de jardins filtrantes (wetlands); a água ali presente está sempre em movimento, circulando a partir do lago intermediário no ponto central até os dois lagos nos extremos da pista. Estas águas permanentes discorrem sobre um terreno impermeabilizado.
Por fim, o sistema de drenagem recebe as águas cinzas (pias e chuveiros) das edificações que são fito-depuradas e limpas pelo sistema dos jardins filtrantes para usá-las nas descargas dos vasos sanitários dos edifícios do parque. Essa limpeza nos jardins funciona em um nível abaixo da superfície e eles estão pensados para ser incorporados em alguns dos canteiros perto dos edifícios. Associando a topografia e a geometria do curso d’água com a vegetação nativa, procuramos recriar o ambiente de variação hídrica dos igarapés amazônicos, em que a paisagem muda com o passar do tempo, tanto pela variação meteorológica ao longo do dia, quanto com as estações do ano. Os usuários podem vivenciar esse ambiente por meio de passarelas de madeira em dois níveis que permitem apreciar a complexa paisagem sob diferentes perspectivas. A terra escavada é gerenciada dentro do próprio parque, gerando uma nova topografia na porção mais próxima da Avenida Júlio César.

Cliente
Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa – FADESP. Secretaria de Cultura – SECULT, Prefeitura de Belém.

Área
486.400 m²

Associados
pagus: arquitetura

Consultores
Anna Julia Passold, engenheira florestal
Gisele Sessegolo, bióloga
Guilherme Castagna, engenheiro civil especialista em drenagem urbana sustentável

Equipe
André Bihuna D’Oliveira, Gabriela Ingrid de Lima, Leandro Vilas Boas, Leticia Domingos Vellozo, Maria Fernanda Arias Godoy, Mariana Steiner Gusmão, Robert de Paauw e Charles Jaster de Oliveira